Por que não devemos usar corticoide precocemente na COVID-19?

O estudo Recovery mostrou que o uso do corticoide dexametasona reduz a mortalidade nos casos graves de COVID-19. Por que, então, não prescrevemos essa medicação para todos os pacientes com COVID? E ainda, por que essa medicação pode piorar a evolução do paciente caso seja utilizada no momento incorreto? 

A COVID é uma doença de fases. Na primeira semana há muita ação do vírus. Os sintomas em geral são incômodos mas não há gravidade. Pode haver resolução após esse momento ou a doença pode progredir para uma segunda fase.

Na segunda fase, que não acomete todos que tem a infecção, ocorre uma inflamação exagerada. Quando isso acontece, os pacientes apresentam manifestações mais graves e podem necessitar de oxigênio suplementar.

O estudo Recovery mostrou que os pacientes que se beneficiam do uso de dexametasona são justamente os que apresentam queda na saturação de oxigênio, ou seja, os que já tem manifestações mais graves. Quanto maior a gravidade, maior foi o benefício que a medicação ofereceu.

O problema de utilizar corticoide desde o início dos sintomas, na fase de grande atividade viral, é o seguinte: nem toda inflamação é prejudicial. Ela é a maneira do nosso corpo resolver infecções. O corticoide reduz a resposta inflamatória esperada e reduz a atividade do sistema imune. Dessa maneira, quando usada precocemente, a medicação prejudica nosso combate ao vírus justamente quando a multiplicação viral é mais alta. É como se a gente estivesse armando o inimigo.

Nunca tome medicações sem a prescrição médica. Alguns remédios podem ajudar em algumas situações e prejudicar em outras.

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